Foi decretada a falência da Vier Indústria e Comércio de Mate, uma das marcas mais tradicionais do setor de erva-mate no Rio Grande do Sul, fundada em 1944. A decisão foi tomada a pedido da própria empresa, após anos de dificuldades financeiras e operacionais. A sede, localizada em Santa Rosa, no Noroeste gaúcho, já estava com as atividades paralisadas desde setembro de 2024.
A companhia havia ingressado em recuperação judicial em 2021, acumulando, desde então, uma dívida que ultrapassou R$ 49,7 milhões. O patrimônio disponível, no entanto, foi avaliado em R$ 11,8 milhões, valor insuficiente para quitar os compromissos. A Justiça também determinou o lacramento da unidade fabril.
Entre os fatores apontados para o colapso financeiro, constam a redução de oferta de matéria-prima — efeito da expansão da monocultura de soja sobre áreas antes destinadas à erva-mate —, alta expressiva nos custos de insumos e transporte, problemas fiscais, tomada excessiva de financiamentos e dificuldades administrativas após problemas de saúde e posterior falecimento do sócio-administrador, em 2020. Um incêndio registrado na sede da empresa em dezembro de 2012 também é citado como agravante histórico no processo.
Além disso, o fechamento das operações nas filiais de Rio Negrinho (SC) e São Mateus do Sul (PR), restando apenas esta última ativa, contribuiu para a deterioração da atuação comercial da empresa, que enfrentou dificuldades crescentes para manter sua competitividade no mercado nacional.
A administração judicial do processo ficará a cargo da Estevez Guarda. Um dos principais ativos a ser preservado é a marca Vier, atualmente arrendada à empresa Rei Verde, de Erechim. A expectativa da administradora é manter o uso da marca e agilizar a venda de bens para pagamento dos credores.
Com o encerramento definitivo das atividades, a falência da Vier marca o fim de uma trajetória de 80 anos ligada à cultura da erva-mate no Rio Grande do Sul, deixando um capítulo relevante na história do setor e na memória dos consumidores gaúchos.

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