O governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde (SES), inaugurou na segunda-feira (29/6) o serviço de oncologia do Hospital São Vicente de Paulo, em Osório. Com recursos do Programa Avançar Mais na Saúde de R$ 1,3 milhão para a obra e R$ 2,1 milhões para a aquisição de equipamentos e mobiliário, o setor especializado vai proporcionar atendimento completo e de qualidade aos pacientes oncológicos do município e de outras cidades do Litoral Norte. O governo do Estado ainda investiu R$ 486,4 mil na compra de equipamentos para outras áreas do hospital. O ato teve a presença do vice-governador Gabriel Souza e da secretária da Saúde, Lisiane Fagundes.
Gabriel Souza ressaltou que a implantação do serviço de oncologia representa uma das entregas mais importantes da área da saúde para o Litoral Norte, por aproximar o tratamento dos pacientes e ampliar o acesso à assistência especializada. "Na vida pública, poucas entregas têm um significado tão grande quanto esta. Hoje não estamos inaugurando apenas uma estrutura física, mas iniciando um serviço que já começa atendendo pacientes e que representa uma conquista histórica para o Litoral Norte. A partir de agora, quem enfrenta um diagnóstico de câncer poderá realizar o tratamento perto de casa, ao lado da família, sem precisar se deslocar para Porto Alegre, por exemplo. Isso tem um valor inestimável, porque significa mais dignidade, mais qualidade de vida e, acima de tudo, mais vidas salvas", disse Gabriel.
A expectativa com o serviço era grande. No momento da inauguração, 47 pessoas já aguardavam atendimento, o qual será iniciado imediatamente, marcando uma nova fase do Hospital São Vicente de Paulo. Pacientes do Litoral Norte terão acesso à uma unidade de referência para diagnóstico, tratamento e acompanhamento especializado dos casos de câncer. Os recursos do governo do Estado contribuíram para o fortalecimento da estrutura do hospital e a modernização do parque tecnológico da instituição, que é referência na região em serviços de média e alta complexidade. Além das obras, os investimentos equiparam setores como o centro de diagnóstico por imagem (CDI), o bloco cirúrgico, a emergência e a unidade de terapia intensiva (UTI).
“Esse serviço integra um conjunto de investimentos do Estado para fortalecer a rede oncológica em diferentes regiões, reduzindo a necessidade de deslocamento até a capital e garantindo maior agilidade no atendimento. Ao descentralizar consultas anuais e centenas de procedimentos, também qualificamos o fluxo assistencial em Porto Alegre. É uma estratégia que beneficia todo o sistema, ao mesmo tempo em que garante mais dignidade, cuidado e resolutividade para os pacientes e suas famílias”, afirmou Lisiane.
Atendimento oncológico no Litoral Norte
A falta de um serviço de oncologia era uma das principais lacunas na rede de saúde do Litoral Norte, o que obrigava pacientes a se deslocarem para a capital ou para outros municípios que dispunham de centros de tratamento, ocasionando longos períodos de espera para realização de consultas, exames, além de gastos com hospedagem e alimentação. Além do desgaste com a logística do tratamento, as distâncias percorridas poderiam agravar os quadros de saúde dos pacientes. De acordo com o Plano Estadual de Oncologia, o Litoral Norte apresenta cerca de mil novos casos de câncer por ano.
Lisiane destacou que a abertura do Serviço de Oncologia em Osório representa um avanço importante na regionalização da assistência, com impacto direto na ampliação do acesso e na qualificação do cuidado. “Estamos falando de uma estrutura de alta complexidade, que exige reorganização hospitalar em todas as áreas — da UTI à emergência — e que permitirá atender mais de três mil pacientes por ano, com cerca de 650 cirurgias e uma ampla oferta de exames. Isso significa levar tratamento especializado para mais perto da casa das pessoas, o que também é parte fundamental do sucesso terapêutico”, detalhou.
Em face desse cenário e com uma demanda crescente, o serviço especializado em oncologia se tornou prioridade, uma vez que a entidade hospitalar atende uma população de aproximadamente 265 mil pessoas, moradores de Osório e de cidades vizinhas. O serviço será referência para 23 municípios das regiões 4 e 5 da Macrorregião Metropolitana: Arroio do Sal, Capão da Canoa, Dom Pedro de Alcântara, Itati, Mampituba, Maquine, Morrinhos do Sul, Terra de Areia, Torres, Três Cachoeiras, Três Forquilhas e Xangri-lá. Balneário Pinhal, Capivari do Sul, Caraá, Cidreira, Imbé, Mostardas, Osório, Palmares do Sul, Santo Antônio da Patrulha, Tavares e Tramandaí.
A programação de consultas, exames, infusões de quimioterápicos e procedimentos cirúrgicos foi feita pelo Ministério da Saúde, conforme os requisitos da portaria federal de unidades de alta complexidade em oncologia. Devem ser disponibilizadas anualmente três mil primeiras consultas especializadas, 600 endoscopias/colonoscopias, 600 ultrassonografias, 1,2 mil exames anatomopatológicos, 5,3 mil quimioterapias e 650 cirurgias.
Hospital segue sob intervenção estadual
O Hospital São Vicente de Paulo, que possui 125 leitos, sendo 108 destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS), é referência regional em urgência e emergência, maternidade, saúde mental, internações clínicas e cirúrgicas, terapia intensiva adulto e hemodiálise. Com o novo serviço de oncologia, a capacidade de atendimento hospitalar será ampliada, de modo a absorver a demanda de pacientes de todo o Litoral Norte, garantindo o acesso contínuo e qualificado ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento, bem como a outros atendimentos de média e alta complexidade.
A instituição está sob intervenção estadual, determinada judicialmente em 2022, e em processo de desapropriação. Em breve o Estado deve lançar um edital para que outra entidade com experiência em gestão assuma os serviços após o término da intervenção.
Investimentos em oncologia
O Programa Avançar Mais na Saúde vem investindo recursos para qualificação dos serviços de oncologia no Estado. Em março deste ano, foi inaugurado o centro oncológico do Hospital Nossa Senhora da Oliveira, em Vacaria, construído com investimento do governo do Estado de mais de R$ 2,9 milhões e contrapartida de R$ R$ 600 mil do hospital. O serviço é referência para os municípios da região dos Campos de Cima da Serra e beneficia diretamente uma população estimada em mais de 120 mil habitantes.
“Mais do que números, estamos falando de vidas impactadas diretamente por esse serviço. Cada cirurgia, cada consulta, representa uma pessoa e toda uma família que passa a ter acesso a cuidado especializado com mais dignidade e proximidade. Essa estrutura reduz deslocamentos, aproxima o paciente da sua rede de apoio e fortalece o vínculo com o tratamento, o que tem um efeito social muito relevante para toda a região.”, concluiu Lisiane.

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