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Quarta-feira, 04 de Novembro 2026
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Papo de Responsa celebra 10 anos com seminário sobre prevenção à violência e proteção de crianças e adolescentes

Encontro reuniu autoridades, especialistas e profissionais para compartilhar experiências e reafirmar a importância do diálogo

Papo de Responsa celebra 10 anos com seminário sobre prevenção à violência e proteção de crianças e adolescentes
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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul realizou, nesta terça-feira (03/11) na PUCRS, em Porto Alegre, o seminário “Papo de Responsa: 10 anos impactando vidas” em comemoração à primeira década de atuação do programa marcada pelo diálogo, pela prevenção à violência e pelo compromisso com a proteção de crianças e adolescentes.

O evento reuniu autoridades, especialistas e profissionais da segurança pública, OAB, SEDUC, MP e TJ do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo para compartilhar experiências e debater temas como violência no ambiente escolar, proteção da infância e adolescência, crimes sexuais, violência extrema, neurociência e iniciativas de educação e cidadania.

A programação teve início com a apresentação da Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul, seguida da manifestação da diretora do Gabinete de Relações Institucionais e Comunicação Social (Grics) da Polícia Civil, Eliana Lopes, que também responde pela Divisão de Prevenção, Mediação, Justiça Restaurativa e Direitos Humanos (DPMJRDH).

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Em sua fala, Eliana destacou que a prevenção à violência é uma construção coletiva, que envolve não apenas as instituições de segurança pública, mas também as áreas da saúde, assistência social, educação, famílias e toda a rede de proteção. Ressaltou, ainda, o protagonismo dos jovens e a importância de apresentar a eles novas possibilidades e perspectivas de futuro. Ao recordar o início do programa, em 2016, destacou o trabalho das pessoas que acreditaram na proposta e contribuíram para sua consolidação institucional. Atualmente, o Papo de Responsa conta com mais de 200 multiplicadores.A secretária-adjunta da Segurança Pública, Adriana Regina da Costa, também participou da abertura e relembrou o processo de implantação do programa no Rio Grande do Sul. A iniciativa surgiu a partir de uma aproximação com a experiência desenvolvida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, quando representantes gaúchos conheceram a metodologia do Papo de Responsa e seu idealizador, Beto Chaves. A partir dessa experiência, foi estabelecida uma cooperação e iniciada a implementação do programa no Estado, inicialmente a partir da Delegacia de Polícia da Criança e do Adolescente (Deca). Adriana destacou a trajetória de crescimento da iniciativa que começou com uma equipe reduzida e se expandiu por meio da capacitação de policiais e da formação de multiplicadores.

Dez anos de experiências

Um dos momentos de destaque do seminário foi a participação de multiplicadores do Papo de Responsa dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, que compartilharam experiências construídas ao longo dos anos.

Os relatos trouxeram a importância da escuta, da aproximação com os jovens e da construção de vínculos como ferramentas de prevenção, Os policiais Alessandro, Waguinho e Érica apresentaram diferentes perspectivas sobre o trabalho desenvolvido nas escolas e comunidades.

Waguinho, com 37 anos de atuação na Polícia Civil do Rio de Janeiro, relatou sua transformação profissional a partir do contato com a metodologia. Segundo ele, a experiência mostrou que o poder da escuta e do diálogo pode alcançar resultados que vão muito além das práticas tradicionais de segurança pública. Érica, multiplicadora há 11 anos, ressaltou que os resultados da prevenção nem sempre podem ser mensurados, pois muitas vezes estão relacionados a situações de violência que deixaram de acontecer. Comparou o trabalho a uma plantação de longo prazo, que exige dedicação e continuidade.

O idealizador do programa, Beto Chaves, e um dos coordenadores do Papo no Rio Grande do Sul, Rodrigo Cachoeira, também participaram do encontro, provocando uma reflexão sobre o papel dos profissionais da segurança pública na sociedade. Para Beto Chaves, embora os policiais trabalhem com armas e sejam frequentemente associados à repressão, também são agentes capazes de construir relações de afeto, confiança e transformação.

Ele destacou que fazer prevenção exige disposição para experimentar outras formas de atuação e compreender que os resultados nem sempre são imediatamente visíveis. Ao abordar os dez anos do programa, ressaltou o compromisso com os jovens e a importância de acreditar na possibilidade de construir outras realidades por meio da educação e do diálogo.

Perícia criminal

No período da tarde, o perito criminal Marcelo Bromfman Nadler, do Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP-RS), apresentou a palestra “A atuação da Perícia Criminal no combate à pedofilia”.

A exposição abordou a importância da integração entre a Polícia Civil e a perícia criminal na investigação de crimes sexuais contra crianças e adolescentes, especialmente diante dos desafios impostos pelas tecnologias digitais. Nadler apresentou o trabalho do Nucope (Núcleo de Combate à Pedofilia e ao Abuso Infantojuvenil), criado em 2025, que reúne diferentes expertises para apoiar as investigações e produzir provas técnicas.

Entre os temas discutidos estiveram a preservação e análise de dados de dispositivos eletrônicos, a identificação de evidências digitais, as estratégias de aproximação utilizadas por abusadores nas redes sociais e o chamado grooming, processo de manipulação emocional em que os criminosos conquistam a confiança de crianças e adolescentes para posteriormente explorá-los.

O perito também chamou a atenção para novas ameaças, como a utilização de inteligência artificial para produzir imagens e vídeos de conteúdo sexual envolvendo crianças, reforçando a necessidade de atualização das estratégias de investigação e responsabilização criminal. Destacou, ainda, que a proteção das vítimas deve considerar os impactos psicológicos da violência e a necessidade de acolhimento adequado.

Violência extrema

O procurador do Ministério Público do Rio Grande do Sul e integrante do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (NUPVE), Fábio Costa Pereira, abordou a disseminação de discursos extremistas e conteúdos violentos nos ambientes digitais.

A palestra discutiu a influência das comunidades virtuais, a circulação de referências violentas, a radicalização de adolescentes e os processos de identificação com ideologias extremistas. O procurador apresentou elementos que podem auxiliar na identificação de sinais de alerta, como desenhos, escritos, símbolos, referências em jogos, interações virtuais e comportamentos que indiquem planejamento ou exaltação da violência.

O procurador ressaltou a importância de compreender os ambientes digitais frequentados por crianças e adolescentes e de observar mudanças de comportamento, vínculos e manifestações que possam indicar situações de vulnerabilidade. Também destacou a necessidade de protocolos de atuação que permitam prevenir situações extremas e proteger as pessoas envolvidas, evitando a exposição desnecessária das vítimas e de seus familiares.

O cérebro adolescente

O neurocientista Guilherme Nogueira apresentou a palestra “O cérebro adolescente: um olhar neurocientífico”, abordando aspectos cognitivos e emocionais do desenvolvimento na adolescência.

O especialista explicou como o cérebro de um(a) adolescente apresenta características próprias, especialmente em relação ao controle dos impulsos, à avaliação de riscos, à busca por novidades e à necessidade de pertencimento social. Também abordou os efeitos do uso excessivo de telas, a influência dos grupos e a importância dos vínculos afetivos na formação dos jovens.

A palestra destacou o papel do acolhimento, da escuta e do reforço positivo no desenvolvimento emocional, ressaltando que experiências de rejeição e violência podem produzir impactos importantes. A compreensão do funcionamento do cérebro adolescente, segundo a abordagem apresentada, contribui para qualificar as estratégias de prevenção e fortalecer as relações entre jovens, famílias, escolas e instituições.

Educação e cultura

A programação contou com apresentações culturais e a participação de iniciativas que atuam na formação de crianças e adolescentes. O músico Renato Borghetti e a Fábrica de Gaiteiros apresentaram seu trabalho de formação musical, que oferece acesso gratuito ao aprendizado do acordeão para crianças e jovens. As gaitas utilizadas no projeto integram a iniciativa de formação artística e valorização da cultura regional.

A palestra destacou o papel do acolhimento, da escuta e do reforço positivo no desenvolvimento emocional, ressaltando que experiências de rejeição e violência podem produzir impactos importantes. A compreensão do funcionamento do cérebro adolescente, segundo a abordagem apresentada, contribui para qualificar as estratégias de prevenção e fortalecer as relações entre jovens, famílias, escolas e instituições.

Educação e cultura

A programação contou com apresentações culturais e a participação de iniciativas que atuam na formação de crianças e adolescentes. O músico Renato Borghetti e a Fábrica de Gaiteiros apresentaram seu trabalho de formação musical, que oferece acesso gratuito ao aprendizado do acordeão para crianças e jovens. As gaitas utilizadas no projeto integram a iniciativa de formação artística e valorização da cultura regional.

Já a capitã Quelen Brondani de Aquino apresentou a experiência do PROERD, desenvolvido pela Brigada Militar nas escolas, com foco na prevenção e na formação cidadã.

Ao reunir diferentes experiências e perspectivas, o seminário reafirmou que a prevenção à violência exige atuação integrada, investimento em educação e fortalecimento dos vínculos comunitários.

Mais do que celebrar uma década de história, o encontro renovou o compromisso do Papo de Responsa com a construção de uma cultura de paz, na qual o diálogo, a escuta e a aproximação entre a segurança pública e a sociedade sejam instrumentos fundamentais para proteger crianças e adolescentes e transformar realidades.

Acesse a galeria de imagens dos 10 anos do Papo de Responsa

FONTE/CRÉDITOS: Policia civil

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