SORIGS reforça importância do acompanhamento oftalmológico para usuários de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro
As chamadas canetas emagrecedoras, cada vez mais presentes no tratamento da obesidade e do diabetes, passaram a receber atenção também dos oftalmologistas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA), doença rara que pode provocar perda súbita da visão, em pessoas que utilizavam medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.
Dos 13 casos analisados pela agência, 12 envolvem a semaglutida, princípio ativo de Ozempic e Wegovy, e um está relacionado à tirzepatida, presente no Mounjaro. A investigação, no entanto, ainda não permite afirmar que os medicamentos tenham causado os problemas de visão. A partir dos casos, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), juntamente com a Associação Brasileira de Neuro-Oftalmologia e a Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo, recomenda acompanhamento médico e avaliação oftalmológica individualizada.
Para a Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul (SORIGS), o momento é de atenção, mas sem alarmismo. “Estas medicações devem ser utilizadas sempre com prescrição e acompanhamento médico. Neste momento, o que temos são casos que estão sendo investigados e que reforçam a importância de acompanhar a saúde ocular desses pacientes. Consultas regulares permitem identificar alterações precocemente e avaliar cada caso de forma individual”, afirma Guilherme Dihl, presidente da SORIGS.
*Lesão*
A NOIA-NA é uma lesão que afeta o nervo óptico e pode provocar perda visual repentina, geralmente em um dos olhos. Entre os fatores associados ao desenvolvimento da doença estão diabetes, hipertensão, obesidade, idade e outras condições que comprometem a circulação sanguínea. Justamente por apresentarem parte desses fatores de risco, muitos pacientes que utilizam medicamentos para diabetes e obesidade já integram um grupo que merece atenção oftalmológica.
Apesar da investigação da Anvisa, o CBO não recomenda que pacientes interrompam o tratamento por conta própria. Os dados disponíveis ainda são considerados preliminares e as evidências científicas sobre uma possível associação entre os medicamentos e a NOIA-NA permanecem inconclusivas. A orientação é conversar com o médico responsável antes de qualquer mudança na medicação e manter o acompanhamento oftalmológico. Alterações repentinas na visão, especialmente perda visual em um dos olhos, devem ser avaliadas com urgência.
Canetas emagrecedoras voltam ao radar da oftalmologia após investigação de casos de perda de visão
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Redação
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