Espetáculo teatral gaúcho de maior sucesso em 2025, Geppetto foi escolhido para fazer a abertura do 19º Art In Vento – Festival de Teatro Estudantil e Amador de Osório, no litoral do Rio Grande do Sul. A peça venceu o Prêmio Açorianos de Teatro em quatro categorias — melhor espetáculo, ator (Fábio Cuelli), dramaturgia (Nelson Diniz) e cenografia (Maurício Casiraghi, Mario de Ballentti e João Luiz Cuelli). A produção também foi indicada ao Prêmio Shell, o maior do gênero no país, como destaque nacional. A apresentação gratuita será realizada no dia 7 de novembro, sábado, às 19h30min, na Câmara Municipal de Vereadores (Av. Jorge Dariva, 1211 — Centro de Osório). Os ingressos serão distribuídos no local a partir de uma hora antes do início da sessão. Haverá tradução simultânea em libras. A exibição conta com o financiamento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) por meio do edital da Secretaria de Estado da Cultura do RS (SEDAC).
Com direção cênica de Liane Venturella, a atração tem como referência o clássico As Aventuras de Pinóquio: história de uma marionete, lançado pelo italiano Carlo Collodi, em 1883. Mas, nessa versão, os protagonistas não têm os mesmos nomes da fábula conhecida mundialmente e expõem uma inversão de papéis. O roteiro constrói a narrativa de um filho que passou a vida distante do pai. O espectador acompanha relação entre um homem e a figura paterna, que precisa de cuidados na velhice.
A montagem utiliza marionete híbrido e tem como cenário uma oficina com ferramentas, pedaços de madeira e blocos de argila, São as matérias-primas para as criações do filho que, além de médico, seguiu o ofício do pai e tornou-se escultor.
— O texto constrói a narrativa de um filho que passou a vida distante do pai. Ele criou a própria história e, já adulto e formado em medicina, passa a cuidar do seu pai. Cercado de elementos que remontam a profissão de marionetista, o filho dá vida aos objetos e bonecos para abordar as verdades, mentiras e omissões que atravessam esse convívio. A direção cênica veio com precisão e delicadeza para dar forma e vida a manipulação de cada elemento, principalmente aprofundando o cuidado com uma pessoa adoecida e, com isso, atravessando as emoções que derivam dessa situação — explica o ator Fábio Cuelli.
Outra curiosidade da peça é que, em alguns trechos, os personagens se comunicam por meio do Talian, uma língua de imigração falada no Brasil em regiões de ocupação italiana desde 1875, incluindo o nordeste do Rio Grande do Sul. Um recurso que reforça a intimidade familiar, já que esse dialeto foi usado, durante muito tempo, somente dentro das casas dos imigrantes devido à proibição imposta durante a Segunda Guerra Mundial.
O espetáculo comemora os 10 anos do grupo Máscara EnCena, que produziu a montagem com a companhia Miseri Coloni — uma união de trajetórias dedicadas à pesquisa da máscara e preservação da língua Talian. A ficha técnica conta ainda com Alexandre Borin (assistência de direção), Maurício Casiraghi (direção de arte), Mario de Ballentti (marionete e boneco híbrido), Sandro Martins (execução do projeto de iluminação), Beto Scopel (trilha sonora Original) e Vitor Pedroso (figurinos).
Uma obra que explora os limites entre esculpir e ser esculpido e revela quem são os Geppettos e Pinóquios que vivem em nós.
>> TURNÊ POR SETE CIDADES GAÚCHAS
A apresentação em Osório dá início a uma turnê por outras seis cidades gaúchas: Arroio dos Ratos (09/11, às 14h30min, no Museu do Carvão), Colinas (10/11, às 14h30min, no Teatro Municipal), Arvorezinha (11/11, às 9h30min, no Auditório Domingos Dorigoni), Cruzeiro do Sul (12/11, às 19h30min, no Salão Paroquial Católico), Vista Alegre do Prata (13/11, às 19h30min, no Auditório Giuseppe Tonus) e Rolante (14/11, às 19h30min, no Salão Paroquial Boa Esperança). Todas as sessões também serão gratuitas e com tradução em libras.
— O espetáculo se revelou como uma possibilidade de encontro para abordar diversas temáticas, transcendendo o convívio de um pai e filho e agregando um olhar sobre a finitude, a velhice, o cuidado, a memória e os papéis que assumimos dentro do núcleo familiar. Com o passar das apresentações, percebi o quanto as pessoas se tocavam com a temática e tratei de propor junto ao projeto de circulação uma conversa, após a apresentação, com um profissional da psicologia. Todas as sessões contam com acessibilidade em libras. O espetáculo será apresentado em espaços diversos, ora em teatro, ora em espaços alternativos, possibilitando que cidades com pouco fluxo de circulação de espetáculos possam desfrutar do Geppetto em seus territórios — comemora Fábio Cuelli.
>> FICHA TÉCNICA:
Concepção e atuação: Fábio Cuelli; Direção cênica e dramaturgia: Liane Venturella; Assistência de direção: Alexandre Borin; Texto: Nelson Diniz; Direção de arte: Maurício Casiraghi; Marionete e boneco híbrido: Mario de Ballentti; Construção das cabeças: Fábio Cuelli; Cenografia: Maurício Casiragui, Mario de Ballentti e João Luiz Cuelli; Projeto de iluminação: Maurício Casiraghi; Execução do projeto de iluminação: Sandro Martins; Fotos: Doug Trancoso; Trilha sonora original: Beto Scopel; Canção original (composta e interpretada por Adriano Iurissevich): Dorme figlio mio; Figurinos: Vitor Pedroso; Produção: Cleri Ana Pelizza; Realização: Máscara EnCena e Miseri Coloni.

Jornal Correio do Imbé
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