O Instituto-Geral de Perícias (IGP) identificou, na sexta-feira (22/8), um homem que estava desaparecido desde 2018, tendo sido visto pela última vez no início daquele ano, no município de Esteio/RS.
A identificação, que foi a 106ª realizada a partir de dados do Banco de Perfis Genéticos do RS (BPG/RS), foi viabilizada pela edição de 2025 da Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas.
Ao tomar conhecimento da campanha, a filha do desaparecido, que aguardava notícias havia sete anos, decidiu registrar a ocorrência de desaparecimento e fornecer seu material genético ao IGP para comparações. A partir desta doação, seu perfil foi inserido no BPG/RS e apontou possível vínculo genético com um indivíduo encontrado sem vida no município de Canoas/RS, com um ferimento na cabeça, em outubro de 2018.
A equipe da Divisão de Genética Forense (DGF) do IGP, após analisar o caso, conseguiu confirmar os dados e realizar os cálculos estatísticos necessários para liberar o laudo de identificação.
O resultado obtido pela DGF reforça a importância da doação de material genético por parte dos familiares de pessoas desaparecidas, uma vez que eles são cruciais para encerrar o ciclo de sofrimento das famílias, bem como para dar um nome a vestígios e corpos não identificados até então. Em muitos casos, quando métodos convencionais não conseguem apontar a identificação das vítimas, a comparação genética se torna a única alternativa para fornecer respostas.
A nova identificação surge pouco mais de uma semana depois do IGP ter confirmado a identidade de uma vítima das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. Em 13 de agosto, a DGF confirmou que um corpo encontrado no Rio Taquari, entre Triunfo/RS e General Câmara/RS, pertencia a uma mulher desaparecida desde 2 de maio de 2024, tendo sido vista pela última vez em Lajeado/RS.
"Este resultado demonstra a importância da divulgação desse trabalho, que em muitas situações acaba sendo a única possibilidade de identificação de um indivíduo", destacou a chefe da Divisão de Genética Forense do IGP, Cecília Fricke Matte.
Como realizar a coleta de material genético
Se você possui familiares desaparecidos deve registrar, em primeiro lugar, a ocorrência de desaparecimento junto a uma delegacia de polícia. Depois disso, será convidado a comparecer ao posto mais próximo para realizar a coleta.
Na Região Metropolitana, as coletas ocorrem no Centro Regional de Excelência em Perícias Criminais (Crepec), localizado na Rua Comendador Álvaro Guaspari, nº 40, em Porto Alegre. Já no interior, são realizadas nos Postos Médico-Legais de cada município. A coleta é feita com um cotonete passado por dentro das bochechas, ou então a partir de uma pequena gota de sangue extraída do dedo.
Os familiares devem seguir a seguinte lista de prioridade para doar material genético:
- Filhos(as) biológicos(as) e o outro genitor;
- Pai e/ou mãe biológicos;
- Irmãos biológicos (filhos do mesmo pai e da mesma mãe).
