A Polícia Civil deflagrou, nesta sexta-feira (31), a segunda fase de uma operação que visa desarticular um esquema criminoso especializado em extorquir vítimas flagradas ao sair de motéis em Porto Alegre e cidades da Região Metropolitana. Três mandados de prisão preventiva foram cumpridos em Eldorado do Sul, São Leopoldo e Charqueadas.
A investigação, iniciada há cerca de seis meses, identificou que o grupo monitorava discretamente a entrada e saída de veículos em motéis, registrando fotos e vídeos dos clientes. De posse desse material, os criminosos se passavam por detetives particulares e contatavam as vítimas pelo WhatsApp, alegando ter sido contratados por companheiros ou companheiras com suspeitas de traição. Para não divulgar as imagens aos familiares, exigiam pagamentos via Pix — valores que variavam conforme o perfil da vítima.
Segundo a Polícia Civil, o esquema era coordenado de dentro do sistema prisional, com apoio de indivíduos que atuavam nas ruas realizando registros fotográficos e levantando informações pessoais das vítimas. Um dos alvos desta etapa já se encontrava preso na Penitenciária Estadual de Charqueadas.
Essa nova fase da operação foi desencadeada após a primeira etapa, realizada em agosto, que resultou na prisão de cinco suspeitos e na apreensão de equipamentos que permitiram identificar os investigados detidos nesta sexta-feira.
Até o momento, ao menos dez vítimas foram formalmente identificadas, embora a Polícia Civil acredite que o número real seja maior, já que muitos atingidos pelo golpe podem ter optado por não registrar ocorrência devido à natureza constrangedora da abordagem. A prática teria sido verificada em pelo menos três motéis da capital e também em outros municípios da região.
Além dos frequentadores dos estabelecimentos, prestadores de serviços que atuavam nos locais também foram alvo dos criminosos. Em um dos casos, um trabalhador foi fotografado e extorquido ao sair do motel com o veículo da empresa, mesmo sem vínculo pessoal com o local além do serviço prestado.
A operação é conduzida pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos e segue em andamento para identificar outras possíveis vítimas e eventuais integrantes do esquema

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