Viagem educativa de programa estadual reuniu participantes de 17 municípios gaúchos em atividades sobre história, patrimônio e herança missioneira
Um mergulho na história, na cultura e nas origens do Rio Grande do Sul marcou a segunda viagem educativa às Missões Jesuíticas promovida pelo Programa Partiu Futuro Reconstrução. Nesta segunda-feira (25), um grupo de 237 jovens participou de uma imersão no Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade.
Os participantes são das cidades de Bom Princípio, Capão da Canoa, Charqueadas, Feliz, Igrejinha, Montenegro, Parobé, Pelotas, Rio Grande, Rolante, São Jerônimo, São José do Norte, São Lourenço do Sul, São Sebastião do Caí, Taquara, Tramandaí e Triunfo. A seleção ocorreu com base em critérios de desempenho, engajamento e frequência no projeto.
Esta é a segunda turma do Partiu Futuro Reconstrução a percorrer o roteiro missioneiro. O primeiro grupo, formado por jovens de Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, esteve no local no último dia 18. A agenda foi desenvolvida especialmente para os integrantes da iniciativa e reforça a proposta de uma formação que vai além da qualificação profissional, estimulando o acesso à cultura e a valorização da trajetória histórica gaúcha.
Ao longo do dia, a comitiva acompanhou palestra de Nadir Damiani, historiadora, professora da URI Santo Ângelo e fundadora do Instituto Histórico e Geográfico de Santo Ângelo (IHGSA), referência nos estudos sobre as Reduções Jesuítico-Guaranis, que apresentou o contexto das Missões e sua influência na formação cultural do Estado.
Os jovens também acompanharam um bate-papo com o artesão, cineasta e pensador Mbyá-Guarani Ariel Kuaray Ortega sobre a produção audiovisual indígena. A programação contou ainda com apresentação do Coral Guarani Jerojy Mbaraete, formado por integrantes da aldeia Tekoá Ko'enju, além da dança Xondaro – manifestação tradicional Guarani que reúne elementos de luta, proteção espiritual e expressão cultural – e de uma atividade de pintura facial conduzida pelos indígenas.
Além das atrações culturais e palestras, o grupo realizou visita guiada ao sítio arqueológico e ao Museu das Missões, conhecendo de perto um dos mais relevantes conjuntos históricos e culturais do país. Durante o percurso, os visitantes exploraram as ruínas da antiga redução de São Miguel Arcanjo, incluindo a imponente fachada da catedral, com cerca de 30 metros de altura, símbolo da grandiosidade arquitetônica missioneira. O complexo reúne ainda vestígios do colégio, da residência dos padres, do cemitério e de outras estruturas que faziam parte da antiga comunidade.
Para Luka Garcia da Costa, de 19 anos, de Pelotas, a experiência proporcionou uma nova percepção sobre a história do Estado. “Eu adorei conhecer as ruínas e aprender mais sobre as Missões e os povos indígenas guaranis. Foi uma oportunidade muito especial”, relata. A viagem também marcou Emanuelli Martins dos Santos, de 14 anos, de Rio Grande. “Gostei muito da visita às ruínas de São Miguel. Foi tudo maravilhoso e muito emocionante”, destaca.
A atividade ocorreu em um momento simbólico: maio é o mês das celebrações dos 400 anos das Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul. O roteiro incluiu também um espetáculo artístico de som e luz inspirado na temática missioneira.
“O Partiu Futuro Reconstrução vai além da qualificação profissional. Queremos proporcionar aos jovens oportunidades de formação cidadã, acesso à cultura e conexão com a história do nosso Estado. Conhecer as Missões Jesuíticas é também compreender as raízes do Rio Grande do Sul e fortalecer o sentimento de pertencimento e valorização da nossa identidade. Essas experiências ampliam horizontes e contribuem para o desenvolvimento pessoal e social dos participantes”, afirma o titular da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedes), Gustavo Saldanha.
O legado das Missões Jesuíticas está diretamente relacionado à convivência entre povos indígenas guaranis e missionários europeus, processo que influenciou profundamente a identidade cultural gaúcha. O trabalho desenvolvido pelos jesuítas nas reduções envolvia catequização, educação, ensino de ofícios e organização coletiva das comunidades, promovendo intensa troca cultural com os povos originários.
Dessa experiência surgiram os chamados Sete Povos das Missões — São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Borja e Santo Ângelo Custódio — considerados parte essencial do patrimônio histórico e cultural gaúcho.
*Sobre o Programa Partiu Futuro Reconstrução*
Ao todo, 2.785 jovens de 75 municípios gaúchos integram a segunda edição do Partiu Futuro Reconstrução. O programa é realizado pelo governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedes).
A iniciativa é voltada a pessoas entre 14 e 22 anos, egressas ou matriculadas na rede pública de ensino, inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) e impactadas pelas enchentes de maio de 2024 ou residentes em municípios integrados ao Programa RS Seguro. O contrato tem duração de um ano e prevê carga horária total de 1.040 horas.
Os participantes recebem bolsa-auxílio de R$ 894,52 para uma jornada de 20 horas semanais, vale-alimentação de R$ 550 e vale-transporte, quando necessário. Também contam com registro na carteira de trabalho e acesso a todos os direitos garantidos por lei, como FGTS, INSS, férias e 13º salário.

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